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"Ohhh Tavio"
O Otavio Martins é um ator. Um grande ator. Daqueles que prendem a sua atenção tamanho é o talento e a emoção dele em cena.
O Otavio é um diretor. Um grande diretor. Daqueles que te surpreendem com tantas idéias geniais... e ser genial, nem sempre é ter idéias impossíveis e complicadas de se realizar. A genialidade está nas coisas simples de ser e fazer.
O Martins é um dramaturgo. Um grande dramaturgo. Daqueles que te dão um soco na cara com palavras bem colocadas e amortecidas com um universo poético incrível.
Mas acima de tudo, o Otavio é um amigo. Um grande amigo. Daqueles que você vai conhecendo aos poucos mas que de cara você já fica apaixonado pelo carisma e carinho do cara.
O conto suicida de hoje é dele. E na boa... o cara escreveu um puta conto.
Grande Otavio.
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Conto do Cú
Acordou e olhou pela janela: o mundo está uma merda.
Ônibus atropelando carros, que atropelam motos, que atropelam pedestres, que atropelam camelôs, que atropelam a passagem, que atropelam as ruas, que entopem as cidades, que invadem os países, que poluem o mundo, que morre a cada dia pela poluição, que vem das chaminés das fábricas, do horror das queimadas, do cano de escapamento dos ônibus que atropelam os carros. Decidiu: o mundo está uma merda.
Procurou uma faca.
Todas sem fio.
Procurou fios de eletricidade.
A conta tinha sido cortada.
Pensou em pular pela janela, mas ninguém morre ao pular do primeiro andar.
E ainda tinham as grades.
O gás.
Cortado.
No banheiro, só aspirina.
Genérica.
E só uma.
Gilete?
Nenhuma.
Barba de três semanas.
Na mesa, apenas pão Pullman, bananas, cebolas.
Na geladeira, as três latas de cerveja de ontem à noite.
E uma garrafa com água de torneira pela metade.
O mundo está uma merda.
Decidiu morrer pelo cú.
Se era pra morrer na merda, ia morrer pelo cú.
Comeu o saco de pão Pullman com as bananas.
Todas as oito.
Depois, enfiou cada uma das quatro cebolas no rabo.
Na dor, sorria.
O mundo é uma merda.
Bebeu as três latas de cerveja, e as malditas cebolas davam sinal de querer sair.
Enfiou então a garrafa d´água.
Depois surtou.
Enfiou as almofadas do sofá, as contas, o chuveiro, o colchão de solteiro, o abajur, os lençóis que serviam de cortina, as angústias, os pés da mesa, as dívidas, o tampo da mesa, o sofá, as fotos, os diplomas, o telefone, o prestobarba usado, o desodorante.
De repente, um pum.
Escrito por Chico Ribas às 15h13
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Voltando ao suicídio
Andei com alguns problemas de horário e devido a isso acabei me ausentando das histórias suicidas, porém agora temos um blog só para publicarmos esses contos e poesias. Todos os outros contos que foram publicados no meu blog pessoal, já foram transferidos para o
“ Privada sem Saída...”
Hoje retomo as atividades suicidas (no sentido poético da coisa).
Deixo vocês então com o precipício de Andréa Camargo
Apreciem sem nenhuma moderação e por favor, ajudem a divulgar o novo blog.
Obrigado!
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Andréa Camargo
A luz continua cortada, minha geladeira virou lixo de comida podre e a única certeza é que a chuva vai chegar ao chão.
Agora será algo mais do que arranjos de palavras.
A gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade. Não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade. A gente quer inteiro e não pela metade. Inteiro e não pela metade. Não pela metade Metade... .... ...ade...us
."
Escrito por Chico Ribas às 12h46
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Heitor JR
"Elas se cruzavam quase todo dia, Saiam da adolescencia, Moravam na mesma rua E tinham um amigo em comum Apaixonado pelas duas.
Mas tinham muito mais em comum
Elas não se falavam Passavam uma pela outra e se olhavam, rápidas, tímidas, covardes Se encontravam às vezes, um bar, alguma festa.
Se olhavam sempre à distância querendo se aproximar se conhecer se falar
Me conta da tua vida? A que horas você acorda? Gosta de mostarda?
Era Reveillon e tinha uma festa Era na casa do amigo apaixonado
Uma foi com um vestido longo, umas sandálias douradas A outra, os cabelos bem curtos e bem pretos Todos beberam muito Todos enlouqueceram muito
No dia seguinte, ressaca, objetos perdidos A de vestido longo não encontrou em canto algum as sandálias douradas.
Era um novo ano e os dias tinham pressa A de cabelos bem curtos os tinha agora bem crescidos.
Ela acordou um dia bem cedo, comeu um cream-cracker foi até a janela, olhou o céu e pulou.
Vestia apenas as sandálias douradas."
Escrito por Chico Ribas às 20h39
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Despedida
(Éllio Mendes)
Ele estava deitado sobre a grama verde
Seu corpo nu, alvo, franzino, dormia feito um anjo à luz da lua
Deslizei minhas mãos sobre sua pele delicada e fria
Doce perfume de pétalas de rosa
Olhei a montanha ...um precipício
Abracei -me
Já era hora, tinha que ir
...vieram antes do nascer do sol
Beijei -me
Adeus
Escrito por Chico Ribas às 20h38
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“Sumo
(Cecília Grossl)
Suicidei-me
Cedo
Sem demora
Pra ceder
Ao seu desejo
De pra sempre
Me mandar
Embora ”
Escrito por Chico Ribas às 20h37
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“ Desesperar-se...
(Henrique Mello)
Ao olhar no espelho foi que percebeu que seus cabelos negros, já não eram tão negros, e sua pele rígida agora era fina e branca como uma folha de papel de seda, que já não escondia o seu funcionamento vital, como se fosse máquina, podia se ver ao chegar bem perto a total sincronia do sangue esverdeado correndo pelas veias dos braços, do rosto e das mãos. Lavou lentamente o enrugado rosto, e com uma toalha áspera o enxugou com sutil delicadeza. Foi para cozinha e preparou de maneira mecânica o café da manhã, tomando o devido cuidado de o fazer de maneira religiosamente igual a dos últimos anos. Preparou as seis torradas e o café bem forte, jamais ousou em torrar sete fatias, não por querer, costume mesmo, pois no fim de cada manhã era sagrado sobrar duas fatia. Não sabia porque, só tinha que ser. Sentou-se na mesa retangular, com duas xícaras de boca pra baixo e as torradas bem passadas empilhadas de forma matemática. Duas horas mais tarde levantou-se com dificuldade, retirou a mesa do café, olhou para o relógio, fumou um cigarro e mais do que depressa começou a preparar o almoço, ovo com gema mole e lentilhas. Preparou a mesa caprichosamente, dois pratos virados pra baixo, dois copos, e uma jarra de suco em forma de abacaxi. Sentou-se... E esperou... Levantou-se com dificuldade, retirou a mesa, lavou a louça, colocou comida pro Bob, limpou a cozinha, lustrou as panelas, desentupiu a pia, lavou as roupas, fumou um cigarro, limpou o quarto, limpou a sala, ligou a vitrola, sentou-se na cadeira ao lado do sofá e esperou... Quase na hora do jantar, ela se levantou com mais dificuldade, penteou os cabelos, passou batom, olhou no relógio, descongelou a geladeira, pegou um prato de bisteca com lentilhas embalado em saco plástico, ligou o gás do forno, pegou o palito de fósforo, desembalou o prato de bisteca com lentilhas, acendeu o forno, colocou o prato dentro. E por um descuido ao fechar o forno, esbarrou o braço de papel de seda na lasca enferrujada do fogão, rompendo assim toda sincronia da máquina, ela se levantou segurando o braço que jorrava vida, olhou pro Bob por um momento, que dormia, sorriu de canto, e esperou...”
Escrito por Chico Ribas às 20h36
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Curta suicídio por Célia Ribas
“Foi ao teatro. Saiu deprimido. Passou pela praça. Passeou pelo centro da grande metrópole. Fumou um cigarro. Se jogou do viaduto. Não queria morrer, Sómente chamar a atenção. Deixou um recado no ORKUT: _ ¨Me dê motivo Tô indo embora¨. Só depois entenderam o significado daquela canção”
Escrito por Chico Ribas às 20h35
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Inauguração
Recentemente criei no meu blogue pessoal (teatroribas.zip.net), algo chamado “Curta Suicídio”.
O Curta Suicídio consiste em toda e qualquer pessoa que quiser escrever um conto ou um poema, escreve, manda no meu email e eu publico... porém sempre com essa temática: suicídio.
As pessoas foram escrevendo e de repente me deparo com meu email cheio de poesias. Eis então que surge a idéia (já citada uma vez pelo meu amigo Rafa Ferro), de criai um blog só para isso.
Pois bem, aqui está. Este blogue foi ciado com a finalidade de promover eventos culturais via internet. Podemos cada vez lançar um tema diferente para as pessoas escreverem seus contos e poemas... podemos indicar livros de poesia, músicas, exposições... enfim. Cultura no blogue.
ps: Gostaria realmente de agradecer ao Rafa Ferro por essa idéia (inclusive pelo nome do blogue) e de todas as pessoas que escreveram e que ainda vão me escrever.
A idéia é não parar com o blogue.
E viva a poesia.
Escrito por Chico Ribas às 19h19
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