Aviso de Falecimento
(Paulo Ribeiro)
Enquanto teimava em sonhar… a paixão o enlouqueceu em devaneios.
Eram sensações tão reais, capazes de lhe proporcionar o calafrio da água, que nunca viu um raio de sol, e o calor de um abraço descongelante.
No delírio que o perdeu : febre, frio, suor e... uma amostra grátis de felicidade.
O coitado não suportou! Bastou acordar e sentir seu coração bater. Disparado, pulsava insistentemente, e à revelia de quem não quer viver. Numa vitalidade irritante!
De sua carne quente permitiu escoar sua gélida alma. Como quem escapa de uma jaula real, uma gaiola de ossos e músculos. De passagem, seu fantasma, percebe o desenho externo do corpo, como um véu fino que percorre e sacaneia a topografia moribunda... com a pressa de quem foge mas não pretende ir a lugar algum.
Com a notícia ruim, "daquelas que correm rápido", diziam :
- Morreu de sonhar!
Escrito por Chico Ribas às 19h51
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